O governo brasileiro aposta em ampliar a lista de produtos entre as exceções ao novo tarifaço americano, que já é dado como certo.
Já Flávio Bolsonaro lida com ataques de outros candidatos de direita — que até então focavam em Lula — por sua atuação nos EUA.
O problema do senador é que a crítica não vem só de fora: a viagem alimentou disputas internas em sua pré-campanha entre a ala que prega moderação e quem defende a radicalização.
Boa leitura.
O PONTO CENTRAL
1. Controle de danos
O governo Lula já está contando com o imposto de 25% dos EUA para a importação de produtos brasileiros e agora aposta em ampliar exceções, Vivian Oswald escreve no JOTA PRO Poder.
- O governo pretende continuar negociando até 15 de julho (data final da investigação aberta contra o Brasil) e não descarta uma diminuição no percentual.
- O mais provável, contudo, é que o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acrescente novos segmentos à longa lista de exceções.
- Isso porque há uma avaliação técnica dos americanos sobre o impacto de eventuais retaliações a cadeias produtivas relevantes para os EUA.
- A última reunião técnica de negociadores dos dois países foi realizada na terça-feira (7/7) por vídeo, quase simultaneamente à audiência pública do USTR para ouvir as posições de empresas e sociedade civil em Washington.
?O que observar Outra reunião de diálogo está prevista para os próximos dias e deve ser conduzida pelo ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
- Há ainda previsão de conversa entre o chanceler Mauro Vieira e o representante de comércio americano, Jamieson Greer.
UMA MENSAGEM DE OpenAI
A regulamentação da IA depende igualdade no acesso

O PL 2338/2023 estabelece diretrizes para o uso da inteligência artificial, mas não prevê recursos, estrutura ou capacitação para que o Estado e as instituições consigam garantir direitos e assegurar acesso equitativo à tecnologia.
Embora já exista a Política Nacional de Educação Digital, permanecem lacunas importantes:
- ausência de políticas para ampliar o acesso a computadores e tablets, reduzindo a dependência de smartphones;
- baixa prioridade para políticas de conectividade em pequenos municípios;
- dificuldades na implementação dessa política na formação de professores;
- foco do letramento digital restrito às escolas, deixando de alcançar muitos grupos vulneráveis;
Na prática, antes de uma regulamentação de IA, faltam ações para expansão da conectividade significativa, do fortalecimento do letramento digital e da capacidade de implementar a educação digital.
2. ‘Turma dos EUA’

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta nova crise após a ida do senador para os EUA para falar na audiência pública em Washington sobre o tarifaço, Marianna Holanda analisa no JOTA PRO Poder.
- Na reunião, Flávio disse que aquele seria “o pior momento” para impor tarifas a produtos brasileiros e que isso beneficiaria Lula (PT).
?Bastidores Uma ala em torno do senador avalia que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo estão atrapalhando a pré-campanha, não só por causa da aproximação de Flávio com o tema do tarifaço, mas também pela artilharia de Eduardo e Paulo contra Michelle Bolsonaro, fomentando a briga pública. A ex-primeira-dama chamou o zero três e seu aliado de “turma dos EUA”.
- Por trás da crise há uma disputa por poder e influência na nova ordem do bolsonarismo.
- Sem Jair, diferentes alas buscam dar novo tom ao futuro do grupo político: uma ala quer moderação, outra quer se manter radicalmente ideológica.
- O ex-presidente também amargava crises internas e fogo amigo, mas conseguia se impor e estancar a sangria.
- Flávio, até o momento, ainda não mostrou se vai –ou mesmo se pretende– escolher um desses caminhos.
?Panorama A atuação do senador também foi alvo de críticas de outros candidatos da direita, que até então vinham concentrando artilharia no petista.
- Ronaldo Caiado (PSD) disse que Flávio conspirou contra a economia do país.
- Romeu Zema (Novo), por sua vez, disse que negociar é atribuição do governo, não de candidato.
Aliás… A operação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal na casa de Jair Bolsonaro ontem (8/7) foi justificada pelo ministro Alexandre de Moraes por haver o que ele entendeu como uma “discrepância” entre as informações sobre as armas do ex-presidente, Lucas Mendes escreve no JOTA.
- A ordem determinava a apreensão de todas as armas de fogo, munições, acessórios e documentos de registro existentes na casa do ex-presidente.
- Mas, depois de 1h30 de buscas, a PF não encontrou nada.
- A defesa de Bolsonaro havia informado ao STF que 8 das 10 armas estariam armazenadas no Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília.
- O Exército, no entanto, disse ao STF que só estava com 6 armas, e que providenciou que fossem entregues à Superintendência da PF.
3. Poderosa

A pesquisa Meio/Ideia, divulgada ontem (7), que apontou crescimento da vantagem de Lula, também tentou medir o chamado “efeito Michelle” após a divulgação de um vídeo dela contra Flávio Bolsonaro, Daniel Marcelino escreve no JOTA.
- Os resultados indicam que a briga com Michelle teve pouco efeito sobre as intenções de voto.
- No entanto, a ex-primeira-dama consolidou uma marca política própria, independentemente da candidatura do senador à Presidência.
- Em uma pergunta espontânea sobre quem é hoje a mulher mais poderosa do Brasil, a ex-primeira-dama foi citada por 15,4% dos entrevistados, tornando-se a figura feminina mais lembrada pelo eleitorado.
- A atual primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, aparece em segundo lugar, com 9%, seguida pela ministra do STF, Cármen Lúcia, com 4,5% das menções.
4. Sinuca

O governo Lula está prestes a viver um novo dilema na regulamentação do Imposto Seletivo, desta vez relativo às bets, Fábio Pupo, Bárbara Mengardo e Karol Bandeira escrevem no JOTA PRO Tributos.
- A equipe econômica quer reduzir resistências do setor privado ao novo tributo, mas por outro lado corre o risco de despertar críticas do eleitorado ao poupar as empresas de apostas.
- Criado pela reforma tributária, o “imposto do pecado” será aplicado a bens e serviços prejudiciais à saúde e ao ambiente.
Panorama As bets voltaram ao centro do debate nas últimas semanas devido à enxurrada de anúncios em meio à Copa do Mundo.
- O governo, que já vinha tomando medidas para limitar as ações das empresas, buscou reforçar o discurso de que não foi responsável por abrir a porteira e apenas regulamentou um mercado que atuava sem regras desde o governo de Michel Temer.
5. Restrição

Governo e especialistas veem risco migração para o mercado ilegal com proibição de publicidade de bets, Mariah Aquino escreve no JOTA PRO Poder.
- A avaliação foi feita em audiência pública na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, em meio ao debate sobre restrições aos anúncios de apostas esportivas no país.
?O que estão dizendo
- “Se a gente erra a mão na restrição de publicidade, isso pode atrapalhar nesse fluxo de enfrentamento do mercado ilegal.” Giovanni Rocco Neto, secretário nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte do Ministério do Esporte.
- “A proibição seria um retrocesso e traria prejuízo, porque o jogo já está posto. As pessoas não vão deixar de jogar porque está proibido, já é cultural.” Letícia Ferraz, diretora-executiva do Laboratório de Direitos Humanos e Novas Tecnologias (LabSul).
Sim, mas… Gabriella de Andrade Boska, coordenadora do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, explicou que a pasta tem adotado um modelo de enfrentamento ao vício semelhante ao utilizado para o tabaco, com restrição da publicidade acompanhada do fortalecimento da rede de cuidado.
Aliás… O Senado convidou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para prestar esclarecimentos sobre o recuo do governo em impor sigilo de até 100 anos em processos de autorização para o funcionamento de empresas de bets, Maria Eduarda Portela escreve no JOTA. Leia mais.
6. Melhor projeção

O FMI elevou a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,9% para 2,4%, Fábio Pupo escreve no JOTA.
Por que importa O aumento de 0,5 ponto percentual é um dos maiores no relatório publicado ontem (8/7), em um cenário em que a economia global enfrenta forças em direções opostas.
- De um lado, a guerra no Irã elevou os preços da energia, pressionou a inflação e reduziu o ritmo de expansão da atividade no mundo.
- De outro, o avanço acelerado da inteligência artificial e da indústria de semicondutores tem sustentado o crescimento de países inseridos nessas cadeias produtivas.
- Para o Brasil, a revisão decorre da forte safra agrícola, que impulsionou as exportações e a atividade no primeiro trimestre, do fato de o país ser exportador de petróleo em meio à demanda global, da política fiscal e do fortalecimento do consumo.
?O que observar A instituição projeta que os preços do petróleo subirão 32% em 2026, contribuindo para elevar a inflação global para 4,7%.
- Há diferenças significativas, no entanto, conforme a região — desde o início da guerra, os preços da gasolina ao consumidor subiram 30% na Ásia emergente e 15% na América Latina.
7. Durou pouco

Os EUA atacaram 90 instalações militares iranianas entre terça e quarta, segundo informações do exército americano.
- O fim do cessar-fogo reabriu as incertezas nos mercados, Vivian Oswald escreve no JOTA PRO Poder.
- O preço do petróleo disparou mais de 8% depois do republicano afirmar que negociar com Teerã é “perda de tempo”.
- A situação também acendeu o sinal amarelo no governo brasileiro, que discutia a redução dos subsídios adotados para conter o preço do diesel no mercado interno.
- A reviravolta pode ser o prenúncio de novas pressões sobre as rotas de combustíveis e fertilizantes que passam pelo Estreito de Ormuz.